Luíadas (Batalha de Aljubarrota)
A narrativa da revolução de 1383-1385 é dividida em duas partes: o levantamento do povopara apoiar o pretendente português (estrofes 1 a 23), e abatalha de Aljubarrota(estrofes 24 a 44). Dois heróis partilham as glórias destes episódios: o rei D. JoãoI de Portugal e o guerreiro D. Nuno Álvares Pereira.
Camões elogia os guerreiros que defenderam a independência, quer sejam humildes ou poderosos, sem medo de morrer pela causa portuguesa. Critica amarguradamente quem se juntou ao lado castelhano, particularmente os irmãos de D. Nuno Álvares Pereira, que tem de lidar com o conflito acrescido de lutar contra os seus familiares.
Os feitos de D. João I de Portugal também são contados de forma particularmente épica, fazendo lembrarÁjaxnaIlíada. A sua coragem salva a batalha. Socorre a Ala dos Namorados que se encontrava na vanguarda e, na estrofe 38, “sopesando a lança quatro vezes, Com força (a)tira; e, deste único tiro, Muitos lançaram o último suspiro“.
Mas no fim de mais uma batalha sanguínea, a par com o canto da glória, o poeta deixa a opinião de quem maldiz da guerra, que por cobiça dos poderosos lança tanta gente à morte, deixando tantas mães e esposas sem maridos e filhos.